domingo, 25 de outubro de 2015

“O problema de Nicolas Maduro é que com somente um neurônio ele não consegue trocar ideias.” (Mim)

“Para que possamos ouvir nossa voz interior é preciso tirar toda cera acumulada em nossos cérebros.” (Filosofeno)

“Antes do advento da ração a hora do almoço tinha graça.” (Bilu Cão)

Um enredo para o Brasil? Postado por: Roberto DaMatta 22/10/2015 em Artigos

Um enredo para o Brasil?

Na semana passada, falei da possibilidade de ler o Brasil. Pertencer é ser: é uma leitura da “terra” onde nascemos por obra do acaso. Toda autorreflexão coletiva tem seu enredo, seus fracassos, sua cosmologia e muitos investimentos.
Qual seria o enredo do Brasil?
Se a resposta é a de que nada presta mesmo com a “esquerda” no poder, então há algo de podre no reino do pré-sal. Faltam boa-fé e honestidade.
Quantas éticas inscrevemos nas leis que governam o nosso país? Um Estado nacional que, conforme disse um esquecido brasilianista, virtualmente experimentou todos os regimes políticos conhecidos?
Nosso enredo passa por esse sistema movido por múltiplas éticas mas que é sempre pensado em termos puramente políticos, ideológicos e partidários
Fomos abandonados por quase cem anos e, em seguida, marcados por um sistema ultracentralizado. Em 1808, passamos a ser o centro do reino lusitano. Um rei aliado a contragosto às forças da reação europeia fugiu do seu reino e transformou uma periferia feita de índios e papagaios numa corte com mais papagaios do que índios. A eles se juntaram os mais ou menos 15 mil aristocratas e criados. A cidade marginal passou a ser o centro do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve. Tais passagens não se fazem impunemente.
O rei dos contos de Trancoso vira gente. O reino, carnavalizado, é num evento único da história das colonizações. O Rio comanda uma Lisboa ressentida e as figuras sagradas pela aristocrática foram humanizadas.
Foi de dentro desse passado que o Brasil libertou gradualmente os seus escravos, fez a sua República e iniciou o seu enredo de país moderno e igualitário. Mas como realizar tal passagem num sistema tocado a escravidão e baronatos que se transformaram em senadores, juízes, governadores e presidentes sem um povo livre capaz de elegê-los? Viramos República no papel, mas continuamos sendo o país do carnaval e das restrições hierárquicas do “Você sabe com quem está falando?” e de um clientelismo cósmico.
Como realizar a igualdade se existem categorias sociais que só podem ser julgadas por seus pares? Se os crimes prescrevem e, pelo menos os financeiros, compensam? Como adotar uma ética de igualdade num país onde os administradores públicos estão literalmente isentos de julgamento de modo que o mentir se tornou parte do oficio de governar?
Escrevemos um sistema político igualitário sem uma ética de igualdade. Como disse um pouco lido Gilberto Freyre, em “Ordem e Progresso”: “O que se fez com a Marinha desde os primeiros dias da civilização da República de 89 foi o que se fez com o Exército, com o Rio de Janeiro, com os portos, com as indústrias: cuidou-se da modernização das coisas e das técnicas sem se cuidar ao mesmo tempo da adaptação dos homens ou das pessoas a novas situações criadas pela ampliação ou pela modernização tecnológica da vida brasileira”.
Ou seja, mudamos iludidos pela dimensão político-institucional mas pouco mudamos os costumes e os ritos pessoais das velhas reciprocidades. Não conseguimos passar para a sociedade a ética republicana que revolucionava tudo, menos os revolucionários que continuaram a conceber a dimensão política como um campo separado da sociedade, supondo que os costumes iriam se transformar por decreto.
Daí as regalias extraordinárias com as quais traduzimos no nosso republicanismo os poderes que o dinamizam. Entrar no poder no Brasil, é garantir-se de ser servido pela sociedade. Mais: é estar protegido por uma rede legal que até hoje esquece os crimes, centrando-se muito mais no processo legal. A legislação é mais usada como um complicado código do que como aberto guia de comportamento.
A crise revela um enredo reprimido. Como conjugar éticas do privilégio de certos papéis e poderes (o Judiciário é o melhor exemplo) mas que atuam num campo onde predomina a tal “ética capitalista”? Esse conflito, hoje ampliado por uma tecnologia de transparência globalizada, traz à tona as contradições, mas impede a sua resolução porque o sistema legal é um emaranhado construído para manter os privilégios de quem está no poder.
Aliás, a igualdade republicana acabou por dar mais força aos elos pessoais simbolizada no inextinguível “Você sabe com quem está falando?”. Em vez de domesticar o lado privilegiado do sistema, nós o atrelamos aos recursos coletivos que são sistematicamente roubados pelos governantes em nome do povo e com legitimidade moderna da ideologia e do rito eleitoral.
Penso que o nosso enredo passa por esse sistema movido por múltiplas éticas mas que é sempre pensado em termos puramente políticos, ideológicos e partidários. Pouco falamos das demandas éticas de cada um desses sistema, de tal como hoje a televisão, com seus defuntos programas eleitorais, banalizou a disputa democrática.
Não por acaso que, nas ruas, exige-se confiabilidade, empoderamento dos marginalizados, competência administrativa e muita honestidade.
Enfim, tudo indica que chegou a hora de virar de fato uma democracia igualitária, ou de deformar-se como uma enorme República onde o Estado engana ideologicamente a sociedade, roubando-lhe o autorrespeito e a dignidade.
Fonte: O Globo, 21/10/2015.

UNE não me representa Postado por: Pedro Rafael 23/10/2015 em Artigos

UNE não me representa

Recentemente foi sancionada pela Presidente Dilma Rouseff a nova lei que versa sobre
a venda de carteirinha de estudante, aos universitários de todo o Brasil.
São prejudicados os CAs e DAs, emissores da carteirinha
A lei 12.933/13 é um atentado a todos os movimentos estudantis independentes, como
os centros e diretórios acadêmicos.
Fica decidido que o único órgão permitido a emitir a carteirinha é a União Nacional dos
Estudantes (UNE). Mas para quem servirá esta decisão? Aos alunos? Ou para aqueles
que se beneficiam da UNE, que acaba sendo, na prática, um braço da UJS, ala jovem do
PC do B?
Como disse Carlos Lacerda em seu “Depoimento Perante a Juventude”, “é um escândalo
que saiam de uma Universidade Católica moços que os comunistas usam para dominar a
UNE. Se tais moços não são comunistas como alegam, então é pior, pois não têm nem a
desculpa de que servem a uma causa. Então é simples oportunismo, é o cartaz de
pseudo-líder, é a corrupção da política universitária que os seduz”.
Com essas palavras de Lacerda, observamos que a UNE passa hoje por um momento
idêntico, em que são prejudicados os CAs e DAs, emissores da carteirinha, e que, com
essa verba financiavam eventos de interesse de seus alunos, algo que a UNE jamais fez.
Como naquela época, a atual presidente também é de universidade católica (PUC/SP) e
líder da UJS local.
Qual o grande interesse do governo em promulgar esta lei? Por que a UNE lutou por
isso, se eles não fazem nada pelos universitários?
E para piorar a situação, com a obrigatoriedade de comprarmos da UNE, fica proibido
do aluno fazer uso de um comprovante da sua faculdade para ter direito aos seus
benefícios.
A UNE não me representa e tenho certeza que não representa uma boa parte dos
universitários brasileiros, por isso, universitários, uni-vos!

Instituto Millenium

LEANDRO NARLOCH- Mito: “o brasileiro ingere 5 litros de agrotóxicos por ano”



ONGs de combate ao agronegócio, como a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, têm divulgado que “o brasileiro consome 5,2 litros de agrotóxicos por ano”. Jornais, revistas, sites e canais de TV engoliram e publicaram essa informação espantosa. Duas revistas disseram até que o brasileiro “bebe” essa quantidade toda de pesticidas, sem perceber que a estatística é um típico exagero criado por ativistas.

O número de 5,2 litros é resultado da divisão entre o consumo de pesticidas no país e a população. É um cálculo grosseiro, que não leva em conta que:

– Lavouras de exportação, como soja, algodão e milho, utilizam mais da metade dos agrotóxicos do país. Como o Brasil é o maior exportador agrícola depois dos Estados Unidos e da União Europeia, é natural que esteja entre os maiores consumidores de agrotóxicos. Mas daí há um bom caminho até sugerir que todos os produtos são ingeridos pelos brasileiros, pois os alimentos não são consumidos no Brasil.

– Boa parte dos agrotóxicos se destina a proteger plantações que não são de alimentos. Algodão (que exige uso intenso de pesticidas) e cana-de-açúcar são matéria-prima de tecidos e do etanol. Não vão parar na boca dos cidadãos.

– Mesmo no caso de alimentos cultivados com agrotóxicos e consumidos por aqui, é falso afirmar que o brasileiro ingere ou bebe as substâncias. Herbicidas, por exemplo, são aplicados no começo do plantio, bem distante da época de colheita e da parte comestível das plantas. Além disso, um prazo de carência (o tempo entre a última aplicação do produto e a data da colheita) evita que substâncias perigosas terminem no prato dos consumidores. Como diz o engenheiro agrônomo Alfredo José Barreto Luiz, da Embrapa Meio Ambiente:

Esse prazo é calculado para que as substâncias químicas ativas dos agrotóxicos já tenham se transformado em outras (pela ação da temperatura, luz, umidade etc.), restando em quantidade tão reduzida e diluída que não oferece mais perigo.

– A melhor unidade para medir o consumo de agrotóxicos é quilos por hectare, e não litros por habitante. Ao contrário da Europa ou dos Estados Unidos, o Brasil não pode contar com o inverno para exterminar pragas. Sem longos períodos de neve para conter insetos e ervas daninhas, os agricultores brasileiros (e de outros países tropicais) se valem de agrotóxicos. Além disso, podem aproveitar a terra por mais tempo que os países com inverno rigoroso. Isso explicaria porque consumimos tanto desses produtos por aqui. Mas a média brasileira não está tão longe dos países europeus. Segundo o IBGE, cada hectare cultivado do Brasil recebe 6,9 quilos de agrotóxicos. A França gasta 4,6 quilos por hectare; a Holanda, 9,4.

Pode almoçar tranquilo: o brasileiro não ingere 5 litros de agrotóxico por ano.

“Dilma custa o dobro que a rainha Elizabeth. A notícia boa é que não irá ficar tanto tempo.” (Eriatlov)