domingo, 25 de outubro de 2015

J. R. Guzzo: Pinga da mesma pipa

Publicado na versão impressa de VEJA
J. R. GUZZO
O deputado Eduardo Cunha, pelo que estabelecem as leis da balística, foi a pique. O casco continua acima da água, mesmo porque navios da classe “Cunha” custam a afundar, mas acertaram o homem a meia-nau com um míssil de última geração, desses com ogiva capaz de socar 1 000 quilos de TNT no lombo do alvo, e tiros assim causam naufrágio ─ imediato ou em câmera lenta. Essas coisas têm de ser ditas com cuidado, claro, porque estamos no Brasil, e no bioma político brasileiro já foi observada diversas vezes a existência de uma espécie de indivíduo que não obedece às determinações da ciência: trata-se, como todo mundo sabe, de gente que deveria estar morta para a vida pública, mas continua viva.
Fernando Collor foi deposto da Presidência da República em 1992, nada menos que isso, e hoje é um dos marechais de campo das forças a serviço do governo e do PT no Congresso Nacional. Renan Calheiros teve de renunciar à presidência do Senado em 2007, quando se descobriu que uma empreiteira de obras públicas pagava o sustento de uma filha que teve fora do casamento; no momento, de volta ao lugar em que estava, é considerado o campeão da presidente Dilma Rousseff na campanha contra o impeachment.
O deputado Paulo Maluf vive praticamente desde o início de sua carreira política numa situação equivalente à de Eduardo Cunha; nos últimos cinco anos, por sinal, tem contra si um mandado de captura da Interpol e poderá ser preso em 180 países se pisar fora do Brasil. Aqui dentro continua em plena forma: ainda em 2012 o ex-presidente Lula foi à sua casa em São Paulo para homenageá-lo com um beija-mão público. Jader Barbalho também precisou renunciar ao mandato de senador, em 2001, para não ser cassado por corrupção; hoje está de novo no Senado, e tem direito a ser pai de ministro no governo Dilma.
O presidente da Câmara dos Deputados seria feito do mesmo material? O que se tem de certo, hoje, é o encerramento de um dos períodos mais esquisitos da vida política deste país: os oito meses em que Cunha, desde sua eleição para o cargo, foi o líder real da oposição brasileira, apesar de pertencer ao maior partido da aliança pró-governo. A conversa, agora, é até onde irão as desventuras de Eduardo Cunha ─ ou, mais exatamente, que efeito concreto elas podem ter no impeachment da presidente Dilma Rousseff, cuja sorte depende diretamente do Congresso e de quem, ali dentro, comanda blocos de voto no plenário.
O presidente da Câmara, que até outro dia era a principal ameaça à sobrevivência de Dilma, sabe que nada deve ser resolvido amanhã ou depois; juntar votos suficientes para derrubá-lo é tão difícil quanto reunir votos para depor Dilma. “Vão ter de me aturar mais um pouquinho”, já avisou o deputado. Na verdade, o cidadão brasileiro vai ter de aturar os dois ao mesmo tempo, e enquanto isso os que mandam no país tentarão montar uma gambiarra qualquer para atender a ambos. Da parte de Cunha, todo mundo pode estar certo de que a decisão essencial já está tomada: ele vai fazer exatamente o que achar que mais lhe interessa. “Não estamos em trégua nem em guerra”, anunciou o deputado.
Ou seja, aqui não há nenhuma questão de princípio a ser decidida, a começar pelo interesse público; a única coisa que conta é definir o preço que cada um terá de pagar para que todos se arranjem. Tudo pode dar errado para Cunha, para o governo ou para os dois, claro, pois essas coisas não funcionam como uma combinação de seno, cosseno e hipotenusa; são apenas vida real, e a vida real, como se sabe, tem a mania de deixar no sereno autores de artigos sobre política, ou uma infinidade de outros assuntos. Mas o que chama imensamente a atenção, neste caso, é como Cunha e o seu sistema, de um lado, e a trindade Lula-Dilma-PT, de outro, são iguais ─ feitos um para o outro, na verdade, e portanto em perfeitas condições de se entenderem.
São pinga da mesma pipa, como se vê pela lista de personagens citados acima, todos promovidos de Belzebu a Arcanjo Gabriel um minuto depois de fecharem negócio com o PT. Em relação a Cunha, especialmente, é uma piada a recusa do PT em dizer a palavra “corrupção” ─ o partido e o seu líder supremo se consideram proibidos de tocar no tema, pois sabem quanto as denúncias contra o deputado são idênticas, há anos, às que não conseguem responder. E a Petrobras, enfim? Nada os une tanto quanto a vontade de manter a empresa como propriedade estatal. É claro: se não for a sagrada Petrobras, quem vai pagar as aulas de tênis da sra. Cunha ─ e as contas de toda a companheirada?

DO BAÚ DO JANER CRISTALDO- FORO DE SÃO PAULO

Janer Cristaldo: analisando algo que não conhece 
MSM: enviada em 27/12/2006


Por acaso li um trecho de uma entrevista de Janer Cristaldo, no Orkut, em 12/13 de dezembro de 2006. Nessa entrevista ele disse que "O Foro de São Paulo foi uma tentativa de mobilização tipo a OLAS, a Tricontinental, Rodrigo. Não é algo operante hoje". Primeira pergunta: Como, "foi", uma vez que ele irá realizar o XIII Encontro agora, em meados de janeiro de 2007, em El Salvador, sendo que o presidente de El Salvador espera a presença de Raul Castro, que ora substitui seu irmão, o grande Timoneiro. Segunda pergunta: Como não é operante? Será que o kamarada Janer já leu o que existe sobre o Foro neste site que ele escreve. Será que alguma vez já abriu o site do Foro de São Paulo para dar uma olhadinha? Estou decepcionado com tantos palpites!


Carlos Ilich Santos Azambuja


Tovaritch Ilich: 

O Foro de São Paulo vai realizar seu XIII encontro em El Salvador? E daí? Não é normal que as esquerdas internacionais se reúnam? Não houve a Primeira Internacional, a Segunda, a Terceira, a Quarta? O Fórum Social não repete suas reuniões? 

Operante hoje é o MST, a guerrilha católico-comunista que não fica em reuniões e blá-blá-blás, mas que age, invadindo prédios públicos e propriedades privadas em todo o país, que interrompe rodovias e destrói laboratórios científicos, que tem escolas formando futuros guerrilheiros, que prega abertamente o comunismo, que cultiva o pensamento de Mao, o mais operoso assassino do século passado, que nunca escondeu sua intenção de transformar o país em uma republiqueta socialista. Não bastasse isto, recebe grossas verbas do governo federal e generosas doações de organizações católicas internacionais, como a Misereor e a Caritas. Não bastasse sua ação criminosa, o MST ainda goza da simpatia de boa parte da imprensa nacional. Estou decepcionado com seu palpite.

Janer Cristaldo

“Penso, logo fico só.” (Filosofeno)

“A vida não poupa ninguém. Homens bons também são cornos.” (Chico Melancia)

“Caso cortem minha língua perco minhas forças. Sou o Sansão da língua.” (Climério)

“Quando só existe um caminho é preciso arriscar.” (Filosofeno)

O MUAR- Pesquisa diz que brasileiro é o povo que mais sorri no mundo. Os pesquisadores ainda não descobriram por que os brasileiros estão sorrindo.