quinta-feira, 19 de março de 2015

CRISE HÍDRICA-"Para poupar água a minha mulher está usando as calcinhas até do avesso." (Climério)

Alexandre Garcia- Lavanderia

Bernard Madoff, de 76 anos, trabalha na lavanderia do presídio. Em dois anos, foi condenado por enganar investidores americanos. Era consultor de investimento, corretor na bolsa e financista. Sua empresa foi a mais importante de Wall Street. Foi condenado por fraudes de 65 bilhões de dólares a 150 anos de prisão. Mas poderá sair da cadeia se conseguir chegar aos 106 anos de idade. Já está preso há sete anos e ninguém fala em semi-aberto ou prisão domiciliar. Os auxiliares dele também foram condenados. Isso é país sério, que não compactua com foras-da-lei.

 Aqui, os principais do mensalão desfrutam da “prisão domiciliar”. Ficou apenas o Marcos Valério, que foi um mero operador, executor de ordens. Se eu não puder sair de casa, será o maior dos prêmios. Já não precisarei enfrentar as ruas perigosas do Brasil, o trânsito enervante e viverei para mim, minha famílias, livros e música. Será o paraíso na Terra. Pois os mensaleiros foram premiados com isso. Assim sendo, nada foi corrigido: saiu o mensalão, entrou o petrolão.

E fico a pensar se, de novo, acabarão todos na paz do lar, doce lar. É bom que a gente não esqueça que corrupto também é assassino. O dinheiro que falta aos hospitais tem matado muita gente. O dinheiro que não chega à Educação, para formar professores e reformar escolas, está matando o futuro do país. Mas também é causa de morte a nossa indiferença à corrupção, ao roubo, à mentira, à impunidade. Nossa capacidade de reagir parece limitada aos estádios de futebol.

Nos entregamos, como cordeiros alienados, à sanha dos lobos espertalhões. Agora temos um escândalo do tamanho da maior empresa brasileira. Empresa que foi privatizada por partidos políticos. Como partidos não podem ir para a cadeia, pessoas é que devem ser punidas exemplarmente, depois do devido processo judicial. Aqui no Brasil há a mania de não ser claro na responsabilidade pessoal.

Tanto que as manifestações que saem às ruas pedem para punir o crime e não os criminosos; punir a corrupção e não os corruptos. Gente que usou todas as formas para lavar dinheiro, no Brasil, na Suíça e no Caribe. Se nisso estão habituados, por que lavar a roupa suja em casa? Merecem sim, a lavanderia do presídio.

Caio Blinder- Somos todos tunisianos

Eu fui checar os arquivos do Instituto Blinder & Blainder e shame: nunca apelei para o bordão de solidariedade do título acima para a única história de sucesso da Primavera Árabe. E a Tunísia merece, ela precisa. O terror islâmico está convicto da necessidade de matar este exemplo.
O alvo do ataque de quarta-feira foi o Museu Nacional do Bardo,  um dos mais populares locais turísticos da Tunísia, cheio de estrangeiros (17 dos 19 mortos eram turistas estrangeiros). Cerca de 12% do PIB tunisiano dependem de turismo, que teve uma queda dramática desde a revolução de 2011, mas tem se recuperado, apesar da economia europeia estar capenga. Isto é terror islâmico. Vai à carga contra pilares físicos da civilização e da democracia. Os parlamentares debatiam uma lei antiterror enquanto ocorria o ataque lá perto, no museu.
Em dezembro, a Tunísia elegeu democraticamente o seu primeiro presidente, Beji Caid Essebsi, chefiando uma frente anti-islâmica, formada por liberais seculares, esquerdistas e remanescentes da ditadura de Ben Ali. No entanto, a segunda força do Parlamento é o Ennahda, o partido islâmico que dominou o país logo após a revolução e cuja moderação contrasta com os desvairios jihadistas em tantas partes do Oriente Médio ou a militância estreita dos primos da Irmandade Muçulmana no Egito, depostos pelos militares
A moderação do Ennahda, porém, nunca conteve milhares de jovens tunisianos que aderiram ao terror do Estado Islâmico e um líder militante, Ahmed Roussi, morreu na semana passada na Líbia, onde combatia ao lado de uma milícia que jurou lealdade ao Estado Islâmico.
Claro que o bordão “somos todos tunisianos” vale para aqueles que se engajam no processo democrático no país, para as vítimas do terror de qualquer nacionalidade e não para os que saem matando no museu ou por aí. Toda força para a frágil, mas funcional, democracia sendo forjada na Tunísia.

O ANTAGONISTA- O Exército Islâmico tem de ser derrotado

O Exército Islâmico prometia ensanguentar Roma. Ontem a promessa foi cumprida. No atentado terrorista no museu do Bardo, conhecido por seus mosaicos romanos, foram mortos quatro turistas italianos, além de dois colombianos, dois espanhóis, cinco japoneses, um australiano, um francês e um polonês.
O alvo inicial dos terroristas era o parlamento da Tunísia, próximo ao museu do Bardo. O Exército Islâmico pretendia exterminar com suas metralhadoras qualquer tentativa de se criar um islamismo moderado e democrático, como o tunisiano.
A ONU tem de enviar imediatamente suas tropas para a Líbia. É preciso derrotar o Exército Islâmico e impedir que ele contamine toda a região. Está tudo pronto para o ataque. Só falta o acordo entre os dois governos e os dois parlamentos da Líbia - aquele que está Tobruk, eleito no ano passado, e aquele que está em Trípoli, que tem o poder militar.
Prepare-se. É guerra.

“O Cid Gomes dançou. Menos um chupim falastrão. O duro é que a fonte de incompetentes não cessa.” (Eriatlov)

“Até já usei maquiagem, mas não adiantou. Fiquei mais feio ainda lambuzado de pó-de-arroz.” (Assombração)

“Quem não encara a vida, mofa.” (Filosofeno)