domingo, 8 de março de 2015
ALEXANDRE GARCIA- O SILÊNCIO DOS CORDEIROS
Em Cubatão, semana passada, um comerciante foi assaltado por cinco bandidos armados. Reagiu, matou um deles, feriu outro, foi ferido, e os três restantes fugiram. O comerciante foi preso como bandido; a mulher dele, que foi à polícia entregar a arma do marido, também foi presa, por porte ilegal de arma. Se morassem nos Estados Unidos, seriam elogiados pelo prefeito e pelo governador, por terem defendido a lei, a família, a propriedade, como se espera de todo cidadão americano. Mas, estando no Brasil, foram equiparados aos bandidos que os assaltaram. O estado tira as armas dos cidadão mas não as tira dos bandidos. O estado não respeita o espírito do referendo de 10 anos atrás, em que 64% dos eleitores brasileiros foram contra a proibição de venda de armas de fogo, desejada pelo estado. A reação do estado foi dificultar ao máximo a posse e impossibilitar o porte de arma de fogo.
Nos Estados Unidos, onde toda família exerce o direito de ter uma arma em casa, o número de homicídios é de 15 mil por ano, em 300 milhões de habitantes. Aqui, com 200 milhões de brasileiros, temos 55 mil assassinatos por ano. No Rio Grande do Sul, um lugar que defendeu o território brasileiro das invasões castelhanas, o referendo deu um resultado de 86% em favor das armas. O bandido que entrou armado na casa de uma velhinha em Caxias do Sul levou um tiro na cara. A velhinha foi considerada assassina pelos politicamente corretos. A OAB tem o costume de condenar a polícia e considerar os bandidos como vítimas. As vítimas reais que se danem, porque deve estar na natureza do advogado a defesa de quem for acusado de roubo, homicídio ou corrupção.
Semana passada policiais plantaram diante do Congresso 518 cruzes lembrando o número dos colegas que deram a vida para defender os cidadãos desarmados. O estado não dá segurança, tanto que somos assassinados à razão de 150 por dia, e não permite que nos defendamos. O que pretende o estado brasileiro? Criar uma nação de cordeirinhos acuados pelos lobos? Que tipo de paz pretende nos dar o estado brasileiro? A paz do cemitério? Como no final de “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, em breve não saberemos mais distinguir os bandidos que nos assaltam em nossas casas e nossas ruas daqueles que nos assaltam com suas leis e regulamentos para nos oprimir dóceis e passivos.
NO "GOVERNO DOS POBRES", BILIONÁRIOS SE MULTIPLICAM por Percival Puggina. Artigo publicado em 06.03.2015
Desde os tempos de Getúlio Vargas nada produz melhor dividendo político do que rotular-se defensor dos pobres. É um discurso que agrada pobres e ricos. Tanto isso é verdade que o PT, em seus anos de credibilidade, enquanto distante das decisões administrativas e dos recursos públicos, era o partido campeão de votos nos bairros mais aristocráticos de Porto Alegre.
Lula, no entanto, precisa dizer o contrário. Ele e seu partido, não se contentam com propagandear o zelo pelos mais necessitados. Eles precisam, também, repetir à exaustão que os ricos ficam contrariados com isso. Falam, Lula e os seus, como se rico fosse idiota e não soubesse, na experiência própria e na internacional, que nada ajuda mais a prosperidade dos ricos do que a prosperidade de todos. É mais riqueza gerada, mais PIB, mais mercado, mais consumo, maior competitividade. Pobreza é atraso e culto à pobreza deveria ser catalogado como conduta antissocial.
A sedução produzida pelo discurso em favor dos pobres se abastece das próprias palavras. Fala-se no Brasil de uma estranha ascensão social em que o número de dependentes do socorro direto do governo aumenta indefinidamente através das décadas. O bolsa-família é um campo de concentração de ingresso voluntário, onde quem entra não sai nem que a vaca tussa. E o seguro-desemprego tornou-se o amigo número um da rotatividade no emprego, desestimulando a permanência no trabalho remunerado. Enquanto isso, o sistema educacional das classes favorecidas no discurso e desfavorecidas nas ações de governo continua reproduzindo a miséria nas salas de aula que o Brasil destina às suas populações carentes.
Enquanto isso, em dez anos de governo dos que supostamente privilegiam a pobreza, o número de bilionários brasileiros pulou de seis para 63, regredindo para 54 com as marolinhas do ano passado. Nenhum crescimento semelhante ocorreu, no mundo, durante esse período. E aí, amigos, dêem-se vivas não a um desenvolvimento harmônico da sociedade, mas ao BNDES e seus juros de pai para filho, subsidiados com o suor do nosso rosto. De 2009 para cá, o banco passou a esguichar dinheiro grosso para a zelite das empresas nacionais. Só do Tesouro Nacional, R$ 360 bilhões foram repassados ao banco para acelerar o desenvolvimento de empresas amigas do governo, muitas das quais com credibilidade semelhante à do próprio governo. Não vou falar dos financiamentos negociados através do itinerante ex-presidente Lula em suas agendas comerciais com ditadores latino-americanos e africanos, porque essa é uma outra história.
Bilhões foram pelo ralo das análises mal feitas e dos negócios mal explicados. Há um clamor nacional pela CPI do BNDES. O governo que diz zelar pelos pobres (mas que precisa deles em sua pobreza) destinou muito mais recursos aos bilionários (porque precisa deles em sua riqueza). Afinal, ninguém tira centenas de milhões de reais do próprio bolso para custear campanhas eleitorais. Esse é o tipo de coisa que só se faz com o dinheiro alheio, vale dizer, com o nosso próprio dinheiro, devidamente levado pelo fisco e, depois, lavado pelo governo nas lavanderias dos negócios públicos.
DILMINHA ASTERÓIDE
Fundo do poço
O Palácio do Planalto tem tido acesso a pesquisas que jogam Dilma Rousseff em patamares de impopularidade inéditos em seu governo.
São números muito piores dso que ela obteve após as manifestações de 2013. Fernando Pimentel recebeu na semana passada uma pesquisa encomendada ao Vox Populi que é desastrosa para Dilma. Feita apenas em Minas Gerais, onde ela venceu a eleição, a pesquisa mostra que 62% dos mineiros consideram seu governo ‘ruim’ ou ‘péssimo’.
Na terceira semana de março, por encomenda da CNI, o Ibope sai às ruas para medir o pulso da população em relação ao governo Dilma.
Por onde anda Marina Silva?
Saiu a tão esperada “lista do Janot”, com dezenas de parlamentares oficialmente investigados pelo MP por envolvimento no escândalo de corrupção da Petrobras, entre eles os presidentes do Senado e da Câmara, assim como oito petistas. A crise institucional é gravíssima, a governabilidade está ameaçada e a podridão espirrou na própria presidente, já que Palocci foi citado por suposto uso de recursos ilegais na campanha que coordenou para Dilma. O quadro é grave, e advogados respeitados como Ives Gandra já falam em impeachment, e outros como Miguel Reale Jr.clamam pela renúncia da presidente.
O PSDB teve um único membro citado na lista. Trata-se de Anastasia, braço-direito de Aécio Neves. Vale notar que ainda não é culpa, mas abertura de investigação por indícios de crimes. Também é importante separar o joio do trigo, e não misturar quem eventualmente fez uso de recursos ilegais na campanha com quem montou um propinoduto dentro da Petrobras para canalizar centenas de milhões aos cofres do partido. Ainda assim, Anastasia sendo citado representa, sem dúvida, uma sombra sobre o PSDB, o que talvez explique a postura de FHC. Segundo a Folha, o ex-presidente teria dito a aliados admitir uma aproximação com Dilma (o que ele negou em sua página de Facebook).
O tucano não é bobo, e vai aguardar a magnitude das manifestações do próximo dia 15 de março para avaliar a possibilidade de tal aproximação. Adianto aqui que seria a pá de cal no PSDB, a prova definitiva de sua covardia diante da ameaça petista. FHC já carrega nos ombros a responsabilidade de ter poupado Lula em 2005 durante o mensalão. Se o partido ajudar a assar uma pizza no petrolão, em nome da suposta “preservação das instituições”, então pode dar adeus ao seu papel de oposição, que já é questionável.
Mas uma coisa chama a atenção nisso tudo: a ausência de Marina Silva. Por onde anda aquela que recebeu milhões de votos nas eleições e repetia tanto a importância da bandeira ética e da “nova política”? Está muito sumida. Por que Marina não vem a público expressar suas opiniões, sua eventual revolta com o petrolão, com os parlamentares envolvidos no esquema, com o estelionato eleitoral de Dilma, com tudo isso que estamos vendo estarrecidos? Não temos visto entrevistas da “verde” nos principais jornais. O que se passa?
Marina não pode se eximir de seu papel político numa hora dessas. Não pode calar diante da seriedade do momento, talvez de olho na parcela de eleitores da esquerda que ainda nutre alguma simpatia pelo PT. Ela deveria se manifestar abertamente contra qualquer tentativa de acordo entre governo e “oposição”, cobrando independência dos órgãos estatais para que levem as investigações até às últimas consequências. Só o fim da impunidade pode salvar o Brasil. E qualquer um que ouse falar em nome da ética tem obrigação moral de defender punições severas para todos os culpados no petrolão. Doa a quem doer…
Rodrigo Constantino
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