quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Oito notas de Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann
CARLOS BRICKMANN
Acertando os pontos
O PPS, que apoiou Marina, fecha com Aécio. O PV de Eduardo Jorge decide hoje – a dificuldade é que, nos vários Estados, o PV adotou posições diferentes, ora ao lado do PT, ora contra o PT. O PSOL, ao que tudo indica, vai com Dilma.
Primeiras pesquisas
Amanhã, quinta, no Jornal Nacional, saem as pesquisas Ibope e Datafolha. É a primeira oportunidade para saber quem sai na frente – ou não, ou talvez sim. Aplicando-se a margem de erro, talvez saiam os números da eleição na Bolívia.

Há controvérsias
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, PMDB, segundo colocado na disputa pelo Governo paulista, vê a possibilidade de disputar a Prefeitura paulistana em 2016. Só há um problema: Michel Temer, que comanda o PMDB, quer vê-lo longe.
A hora… 
Há agora 28 partidos representados na Câmara Federal. No total, as legendas aliadas a Dilma têm 304 parlamentares; os adversários, 128. Mas não se impressione: se Dilma ganhar, os 304 se transformam em 404 de um dia para outro. Se Aécio ganhar, os 128 pulam para 328 antes da meia-noite do dia da apuração.
Dúvida: se é assim, para que tantos deputados? E para que tantos partidos? Teremos tantas correntes políticas nesse país que necessitem de partidos para organizar-se? A resposta, claro, é não: os partidos proliferam porque recebem bom dinheiro do Fundo Partidário (o PRTB de Levy Fidelix, por exemplo, tem pouco mais de R$ 100 mil mensais). Têm um determinado tempo na propaganda de TV, muito valioso.
Em outras palavras, vale a pena montar um partido.
…do limite
O Supremo derrubou uma vez a cláusula de barreira, que exigia 5% do eleitorado, dividido em nove Estados, para que um partido recebesse benefícios. Mas já se pensa nisso de novo. Mais um pouco, não haverá orçamento que chegue.
Coisa estranha
Está num vídeo amplamente divulgado: uma manifestação de agentes da Polícia Federal, no Rio, por aumento de salários. Críticas pesadas ao Governo Federal. E alguém, no carro de som, proclamando que, no dia em que os agentes federais contarem à imprensa o que sabem, acaba o Governo.
OK: ou eles mentem ou falam a verdade. Se mentem, é o fim da picada. Se não mentem, estarão prevaricando: um agente público não pode silenciar a respeito de irregularidades.
Dinheiro sobrando
Há 263 carros dos Correios abandonados há quase dois anos num terreno de Vila Matias, em Santos. Por que estão ali? Não se sabe. Por que estão ao ar livre, deteriorando-se, sujeitos a depredação e furtos? Não se sabe. A direção dos Correios não sabe? Sabe: em abril, há mais de seis meses, o Ministério Público Federal cobrou providências dos Correios. Talvez a carta não tenha chegado – e o fato é que até hoje os carros, comprados com o dinheiro do caro leitor, continuam abandonados.
O Ministério Público determinou que os Correios, em 30 dias, guardem os veículos em lugar adequado, em que não se deteriorem; elimine focos de mosquitos nos carros abandonados; faça o inventário dos carros, mande consertar os que forem aproveitáveis e venda os que não forem.
Simples, não? Mas há quase dois anos os carros estão lá, sem que a estatal federal se mexa.
O cargo e a surra
O senador Vital do Rego, do PMDB paraibano, lutou e conseguiu ser presidente das duas CPIs sobre a Petrobras. A notoriedade não lhe valeu muito: ficou em terceiro lugar na disputa do Governo da Paraíba, com 5,2% dos votos.

Mantega, um ministro que dia após dia se derrete à sombra.

O silêncio de Lula - Marco Antonio Villa

Na história republicana brasileira, não houve político mais influente do que Luiz Inácio Lula da Silva. Sua exitosa carreira percorreu o regime militar, passando da distensão à abertura. Esteve presente na Campanha das Diretas. Negou apoio a Tancredo Neves, que sepultou o regime militar, e participou, desde 1989, de todas as campanhas presidenciais.

 Quando, no futuro, um pesquisador se debruçar sobre a história política do Brasil dos últimos 40 anos, lá encontrará como participante mais ativo o ex-presidente Lula. E poderá ter a difícil tarefa de explicar as razões desta presença, seu significado histórico e de como o país perdeu lideranças políticas sem conseguir renová-las.


Lula, com seu estilo peculiar de fazer política, por onde passou deixou um rastro de destruição. No sindicalismo acabou sufocando a emergência de autênticas lideranças. Ou elas se submetiam ao seu comando ou seriam destruídas. E este método foi utilizado contra adversários no mundo sindical e também aos que se submeteram ao seu jugo na Central Única dos Trabalhadores. O objetivo era impedir que florescessem lideranças independentes da sua vontade pessoal. Todos os líderes da CUT acabaram tendo de aceitar seu comando para sobreviver no mundo sindical, receberam prebendas e caminharam para o ocaso. Hoje não há na CUT — e em nenhuma outra central sindical — sindicalista algum com vida própria

No Partido dos Trabalhadores — e que para os padrões partidários brasileiros já tem uma longa existência —, após três decênios, não há nenhum quadro que possa se transformar em referência para os petistas. Todos aqueles que se opuseram ao domínio lulista acabaram tendo de sair do partido ou se sujeitaram a meros estafetas.

Lula humilhou diversas lideranças históricas do PT. Quando iniciou o processo de escolher candidatos sem nenhuma consulta à direção partidária, os chamados “postes”, transformou o partido em instrumento da sua vontade pessoal, imperial, absolutista. Não era um meio de renovar lideranças. Não. Era uma estratégia de impedir que outras lideranças pudessem ter vida própria, o que, para ele, era inadmissível.


Os “postes” foram um fracasso administrativo. Como não lembrar Fernando Haddad, o “prefeito suvinil”, aquele que descobriu uma nova forma de solucionar os graves problemas de mobilidade urbana: basta pintar o asfalto que tudo estará magicamente resolvido. Sem talento, disposição para o trabalho e conhecimento da função, o prefeito já é um dos piores da história da cidade, rivalizando em impopularidade com o finado Celso Pitta.


 Mas o símbolo maior do fracasso dos “postes” é a presidente Dilma Rousseff. Seu quadriênio presidencial está entre os piores da nossa história. Não deixou marca positiva em nenhum setor. Paralisou o país. Desmoralizou ainda mais a gestão pública com ministros indicados por partidos da base congressual — e aceitos por ela —, muitos deles acusados de graves irregularidades. Não conseguiu dar viabilidade a nenhum programa governamental e desacelerou o crescimento econômico por absoluta incompetência gerencial.


 Lula poderia ter reconhecido o erro da indicação de Dilma e lançado à sucessão um novo quadro petista. Mas quem? Qual líder partidário de destacou nos últimos 12 anos? Qual ministro fez uma administração que pudesse servir de referência? Sem Dilma só havia uma opção: ele próprio. Contudo, impedir a presidente de ser novamente candidata seria admitir que a “sua” escolha tinha sido equivocada. E o oráculo de São Bernardo do Campo não erra.


 A pobreza política brasileira deu um protagonismo a Lula que ele nunca mereceu. Importantes líderes políticos optaram pela subserviência ou discreta colaboração com ele, sem ter a coragem de enfrentá-lo. Seus aliados receberam generosas compensações. Seus opositores, a maioria deles, buscaram algum tipo de composição, evitando a todo custo o enfrentamento. Desta forma, foram diluindo as contradições e destruindo o mundo da política.


 Na campanha presidencial de 2010, com todos os seus equívocos, 44% dos eleitores sufragaram, no segundo turno, o candidato oposicionista. Havia possibilidade de vencer mas a opção foi pela zona de conforto, trocando o Palácio do Planalto pelo controle de alguns governos estaduais.


Se em 2010 Lula teve um papel central na eleição de Dilma, agora o que assistimos é uma discreta participação, silenciosa, evitando exposição pública, contato com os jornalistas e — principalmente — associar sua figura à da presidente. Espertamente identificou a possibilidade de uma derrota e não deseja ser responsabilizado. Mais ainda: em caso de fracasso, a culpa deve ser atribuída a Dilma e, especialmente, à sua equipe econômica.


Lula já começa a preparar o novo figurino: o do criador que, apesar de todos os esforços, não conseguiu orientar devidamente a criatura, resistente aos seus conselhos. A derrota de Lula será atribuída a Dilma, que, obedientemente, aceitará a fúria do seu criador. Afinal, se não fosse ele, que papel ela teria na política brasileira?


O PT caminha para a derrota. Mais ainda: caminha para o ocaso. Não conseguirá sobreviver sem estar no aparelho de Estado. Foram 12 anos se locupletando. A derrota petista — e, mais ainda, a derrota de Lula — poderá permitir que o país retome seu rumo. E no futuro os historiadores vão ter muito trabalho para explicar um fato sem paralelo na nossa história: como o Brasil se submeteu durante tantos anos à vontade pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva.

“Comunistas detestam pessoas bem-humoradas. Será que eles acham que cara feia tem alguma outra utilidade que não seja assustar?” (Mim)

Não precisam me chamar. Para votar contra a canalha eu irei por conta.

O partido do ódio, da ideia de dividir para reinar finalmente vai dançar. Muita luz, muito sol sobre esse nosso Brasil!

Por um Brasil unido e não dividido! Eu voto 45!