Stálin está a ler um relatório na reunião do Comitê Central do Partido, quando alguém dentro da sala espirra...
- Quem espirrou ?
- ... (silencio)
- Primeira fila, levantem-se. Serão fuzilados ! (ouvem-se aplausos)
- Quem espirrou ?
- ... (silencio)
- Segunda fila, levantem-se. Serão fuzilados ! (grande ovação)
- Quem espirrou ?
- ... (nada, silencio)
- Terceira fila, levantem-se. Serão fuzilados ! (grande ovação, toda a gente se levanta, alguém exclama: Viva o camarada Stálin !)
- Quem espirrou ?
-Fui eu (choro abafado)
- Saúde, camarada!
quinta-feira, 24 de julho de 2014
Alexandre Garcia- Mitos eleitorais
Muita gente que usa a Internet para disseminar seus devaneios sugere que há uma imensa conspiração das empresas de pesquisa de opinião, como IBOPE, Datafolha, Vox Populi, para nos enganar em relação às preferências populares. Ora, são empresas concorrentes entre si, não há como combinarem os resultados. E aquela que mostrar o oposto da urna vai perder muito cliente, pois elas não sobreviveriam apenas com levantamentos de preferências em eleições. Elas sobrevivem porque são instrumento essencial para o marketing e propaganda, ajudando a descobrir as preferências dos consumidores. Pela experiência que tenho de cobertura e análise de eleições desde 1989, devo dizer que nunca saiu da urna resultado que contrariasse a tendência revelada pelas pesquisas.
Para mim, portanto, a pesquisa é confiável. Mas é preciso saber interpretar a pesquisa e isso é bem simples: as manifestações de rejeição são mais importantes que as de intenção de voto. É a solidez do “neste eu não voto de forma alguma”. E quanto à intenção de voto, entre a espontânea e a estimulada - aquela em que o pesquisador lê a lista de candidatos - , fico com a espontânea, mais forte porque traz o nome que já está no cérebro do eleitor. Também são importantes, quando a pesquisa ainda está distante da eleição, os percentuais de votos brancos e nulos. É de gente indecisa, que ainda vai escolher candidato ou de quem não quer nenhum dos candidatos apresentados pelos partidos. Mas atenção: pela lei atual, voto branco e voto nulo não contam para formar a exigência de metade mais um para ser eleito. Se um candidato fizer 40 milhões de votos e outro fizer 30 milhões e houver 60 milhões de votos nulos e brancos, esses 60 milhões não contam.
O total de válidos será 70 milhões e será eleito o candidato de 40 milhões, porque tem mais da metade dos votos válidos. Não acredite na balela de que mais da metade dos votos nulos anula a eleição. É uma interpretação errada do art. 224 do Código Eleitoral, que fala em “voto anulado” - por fraude ou dado a alguém cujo registro não valeu e ganhou a eleição. Aí, sim, se faz nova eleição, como já aconteceu em alguns municípios. Assim, quem não quiser nenhum dos candidatos, se votar branco ou nulo, vai tornar mais fácil a eleição de quem estiver na frente. Em lugar do protesto, é mais prático o voto útil, porque será valioso para excluir o mais pior, votando no menos pior. Deu para entender, eleitor brasileiro? Infelizmente é assim que legislaram em nosso nome.
Estado de direito ou barbárie? A Revolução de 1932 ainda não acabou…
A prisão dos “ativistas” ligados aos black blocs e as evidências de que sindicatos e até partidos possam estar por trás do financiamento desses criminosos reacende o debate sobre Estado de direito no país. A deputada estadual Janira Rocha, do PSOL, chegou a usar carro oficial para ajudar na fuga de foragidos e depois defendeu sua atitude, como se fosse a coisa mais natural do mundo. A lei tem pouco valor por aqui. A quebra de decoro parlamentar ocorre à luz do dia. Governantes defendem o banditismo como se não fosse nada demais.
Tudo isso vai contra a ideia de império das leis isonômicas, objetivo de qualquer sociedade civilizada, que substitui o tribalismo e a pessoalidade das regras pela impessoalidade que coloca todos igualmente sujeitos às mesmas normas e leis. Em artigo publicado hoje no Estadão, Fernão Lara Mesquita relembra a Revolução Constitucionalista de 1932, para combater justamente a bagunça legal que reina no Brasil. Ele pergunta se o país pretende adotar o Estado de direito ou alguma variação do velho caudilhismo populista. A escolha é entre a civilização e a barbárie.
No primeiro modelo, há meritocracia, e é o trabalho e a dedicação, com pitadas de sorte, que determinam o resultado. No segundo, predomina a cooptação e a cumplicidade, sendo a corrupção e a “amizade com o rei” os caminhos mais seguros para o “sucesso”. No primeiro, temos um governo descentralizado, que não asfixia as liberdades individuais. No segundo, um governo central extremamente poderoso, com enorme escopo e poder arbitrário. No primeiro, há separação clara entre poderes. No segundo, tudo misturado.
Mesquita traça um paralelo entre Getúlio e Lula, afirmando que ambos traíram a “ética na política”. Fizeram de tudo para se perpetuar no poder. Ele compara também a reação de Getúlio ao “fechar” o país e adotar uma ditadura com o Decreto 8.243 de Dilma, que tenta substituir o poder do Congresso, ícone da democracia representativa. Getúlio fechou o Congresso; o PT subornou o Congresso e agora quer substituí-lo pelos “movimentos sociais”, que controla. O aparelhamento da máquina estatal, inclusive no poder Judiciário, mostra até onde vai o plano de poder do PT.
Por fim, Mesquita lembra que São Paulo resistiu quase sozinho aos avanços de Getúlio, e que agora, uma vez mais, resiste praticamente só contra o projeto lulopetista com viés bolivariano. Ou seja, a luta iniciada em 1932 ainda não acabou. O Brasil, afinal, é uma República inacabada, muito distante do ideal iluminista (da linhagem anglo-saxônica). Ainda não conseguimos deixar para trás o ranço tribal, o forte domínio dos caudilhos populistas. Precisamos escolher em outubro: Estado de direito ou barbárie?
PS: Enquanto em São Paulo Geraldo Alckmin, do PSDB, deve ser reeleito no primeiro turno, no Rio Garotinho lidera a corrida. Isso reforça a tese de que o paulista é mais sério e o carioca, “malandro”. Claro que é uma generalização e, portanto, um pouco caricata. Mas faz sentido quando pensamos nas características típicas do “carioca malandro”, um simpático boa-vida, piadista, preguiçoso, que gosta de samba e chope, praia e carnaval, enquanto o paulista seria mais sério e trabalhador. O carioca seria o “coração”, e o paulista o “cérebro”, que “carrega o país nas costas”. Está na hora de o carioca pensar mais do que deixar se levar pelas emoções tribais…
Rodrigo Constantino
Leis trabalhistas precisam ser flexibilizadas com urgência!
Por que o gasto do governo com o seguro-desemprego bate recorde atrás de recorde apesar de o país estar com uma das menores taxas históricas de desemprego? Parte da resposta pode ser o Bolsa Família, que afastaria muitos da busca formal por empregos, lembrando que a taxa de desemprego é medida com base apenas em quem está a procura de trabalho. Outra parte tem ligação com a elevada rotatividade dos funcionários nos empregos, tendência que se acelerou de uns tempos para cá.
O jornal O GLOBO traz hoje uma reportagem sobre o assunto, mostrando que a probabilidade de duas pessoas terminarem um ano no mesmo emprego é de apenas 13%. Na década de 1990, 45% dos trabalhadores com carteira assinada trocavam de emprego em um ano. A taxa acelerou para 53,9%, em 2002, e atualmente chega a 64%, uma das maiores, quando se consideram todos os motivos para a saída do emprego, como demissão sem justa causa, a pedido do funcionário, aposentadoria, morte ou transferência.
Existem alguns fatores que podem explicar isso. Um deles tem ligação com mudanças culturais. As novas gerações são menos apegadas a tudo, inclusive empregos, e se mostram mais impacientes e ansiosas. O dinamismo é bem maior. Além disso, há a questão do pleno-emprego (ou quase isso), que facilita a decisão de abandonar um trabalho em que não se está muito satisfeito, pois há mais oferta de empregos no mercado.
Um terceiro fator, porém, merece destaque, pois tem elo com nossas leis trabalhistas arcaicas. Após seis meses de trabalho, há um salto nas demissões, e isso se deve ao fato de que já há o direito ao seguro-desemprego após esse período. O trabalhador, então, espera acabar o benefício para voltar a procurar emprego formal, o que torna a rotatividade muito alta em nosso país, mais que o dobro de países como Estados Unidos e Inglaterra.
Segundo José Márcio Camargo, da PUC-RJ e meu ex-professor, trabalha-se sete meses e recebe-se por 12 meses. Em entrevista ao mesmo jornal, ele diz:
Quando um trabalhador é demitido, ele ganha um prêmio, uma recompensa financeira, que é composta pelo saldo do FGTS, a multa de 40% do fundo, o seguro-desemprego e o aviso prévio. Uma pessoa que ganhe um salário mínimo e que trabalhe sete meses, ganha por 12 meses. Quanto menor a taxa de desemprego, maior o incentivo para ser demitido. Há muitos que são demitidos e ficam por um tempo na informalidade, recebendo sem carteira até acabar o seguro-desemprego. Ou seja, recebem dois salários.
[...]
Esse é o problema mais sério da legislação trabalhista brasileira. É uma das principais razões para termos uma produtividade tão baixa. Sem diminuir a rotatividade, não se aumenta a produtividade. A história de outros países mostra que a reforma trabalhista é uma das coisas mais difíceis de serem feitas. Há muitos interesses. Historicamente, as reformas são feitas quando o mercado de trabalho não está bem.
As leis trabalhistas brasileiras datam da era Vargas, inspiradas no fascismo de Mussolini. Tratam o empregador como um explorador e o trabalhador como uma vítima. Desconfiam das livres negociações. Depositam poder demais nos sindicatos e no estado, sem respeitar inclusive o desejo dos próprios trabalhadores muitas vezes. No Brasil, ainda se acredita que basta decretar por lei, colocar no papel, para se tornar realidade. As “conquistas trabalhistas” não levam em conta a realidade ou as leis de oferta e demanda.
Deturpou-se completamente o espírito da coisa. Em um mecanismo de livre mercado, a associação sindical deveria ser totalmente voluntária, e os empregados deveriam ter liberdade para negociar diretamente com os patrões. A maior garantia de bons empregos e altos salários está na concorrência entre empregadores e na produtividade do trabalhador, não no poder sindical ou em decretos estatais. Quem ficasse para trás no processo dinâmico de livre concorrência e “destruição criadora” teria um auxílio temporário, para investir em treinamento, adaptar-se e buscar novo emprego. Assim seria no mundo ideal dos liberais.
Compare-se a isso a realidade atual do Brasil, em que sindicatos concentram poder absurdo, a Justiça do Trabalho trata empresários como exploradores e inúmeras “conquistas trabalhistas” representam apenas privilégios para alguns à custa de outros, que permanecem desempregados ou na informalidade (ainda muito alta por aqui). É preciso flexibilizar as leis trabalhistas com urgência!
Resta saber quem terá a coragem de levantar essa bandeira, sabendo que a esquerda irá acusá-lo automaticamente de ser contra os trabalhadores, o que é uma completa falácia disseminada por sindicatos para preservarem seu imenso poder. Quem sai prejudicado é o próprio trabalhador, assim como todos os pagadores de impostos, obrigados a bancar a farra do seguro-desemprego.
Rodrigo Constantino
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