sexta-feira, 18 de julho de 2014
MULHER DE MINISTRO DE LULA LEVOU R$ 6 MILHÕES DA UNIÃO
A mulher do ex-ministro e atual conselheiro do Instituto Lula, Franklin Martins, conseguiu fazer o faturamento de sua empresa saltar de R$ 34,2 mil, de acordo com o registro na Junta Comercial do Distrito Federal, em 2004, para R$ 1,2 milhão em contratos com o governo federal só em 2013. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
A Cine Group, empresa que Mônica Monteiro é sócia majoritária, foi subcontratada para participar de ao menos cinco pronunciamentos em cadeia nacional de rádio e TV da presidenta Dilma Rousseff entre 2011 e 2013. Em dez anos, a empresa levou um total de R$ 6 milhões por serviços prestados com e sem licitação para órgãos como a Presidência e os ministérios do Turismo, Saúde e Cidades.
O maior contrato da empresa com o governo, contudo, de R$ 2,3 milhões, foi fechado com a EBC para produzir a segunda temporada da série de TV Nova África.
Franklin atualmente participa da campanha de Dilma à reeleição e foi um dos responsáveis pela criação da EBC, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, o ex-ministro diz que teve influência “zero” nos contratos da Cine Group com o governo.
A Cine Group, por sua vez, diz que a relação entre sua sócia majoritária e o ex-ministro não teve “nenhum peso” nos contratos e que o governo federal não é seu principal cliente, já que a produtora atende majoritariamente a canais de televisão privados e estrangeiros.
Diário do Poder
Caio Blinder- Nos ares ucranianos II
O desastre com o Boeing malaio é uma virada no jogo, mas para que lado? Tudo é muito confuso. Basta ver que a encrenca envolve a queda na Ucrânia de um avião de um país do sudeste asiático, em que metade dos mortos são holandeses. Hora de buscar os préstimos, no meio no meu veraneio filipino, de Julia Yoffe, guru de assuntos russo-ucranianos do Instituto Blinder & Blainder.
Julia Ioffe por princípio é alarmista na crise ucraniana, como tudo o que envolve nosso homem em Moscou. Ela (nenhuma surpresa) aponta os separatistas pró-russos como responsáveis pela tragédia. No entanto, Julia Ioffe dispara uma bateria de perguntas: como o Ocidente poderá punir os rebeldes? O que pode ser feito para punir os russos por fornecerem capacidade militar para os rebeldes? O que pode ser feito para dar um fim ao conflito ucraniano? Mais sanções? Uma missão internacional de paz? Ela mesmo responde que não existe apetite para o envio de tropas e a Rússia ainda tem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU.
Após tantas perguntas, Julia Ioffe arremata que o conflito ucraniano está agora “oficialmente fora de controle”. Ela enfatiza que Putin começou algo que não pode terminar, soltando uma força perigosa (os separatistas) que ele não mais controla plenamente e parece não ligar muito, mesmo quando a crise custa cada vez mais vidas, inclusive as de 298 civis sem nenhuma relação com a Rússia ou a Ucrânia.
Caio Blinder- Nos ares ucranianos
Evidentemente algo gravíssimo aconteceu nos ares ucranianos e as consequências em terra muito em breve poderão se revelar históricas. Caso o desastre com o voo MH-17 da Malaysia Airlines tenha sido um mero acidente (algo extremamente improvável), por si estamos falando de um episódio tenebroso por sua dimensão e pelo fato de ser o segundo com um Boeing 777 da companhia desde março (o outro ocorrido no Pacífico continua envolto em mistério). Eu de férias nas bandas asiáticas, programado para em questão de dias viajar para o Vietnã das Filipinas, não me vejo pegando tão cedo um avião da Malaysia Airlines (o vôo MH-370 ia de Kuala Lumpur para Pequim).
A conversa obviamente tem sua dimensão geopolítica. O voo MH-17 perdeu contato quando estava prestes a entrar no espaço aéreo russo. É uma denúncia plausível que o Boeing 777 tenha sido abatido pelos separatistas pró-russos. Afinal, nos últimos dias foram registradas as preocupações entre governos ocidentais de que a Rússia de Vladimir Putin está acelerando o fornecimento de equipamento militar mais sofisticado aos rebeldes, agora acuados pelas forças governamentais ucranianas. Na guerra de agitprop, Moscou garante ser “estúpida” a acusação do seu envolvimento e os separatistas rebatem que o desastre foi obra do governo de Kiev. Estúpido, porém, é o envolvimento russo nas questões ucranianas.
Não sou especialista em acidentes aéreos, mas neste caso não me parece que será algo tortuoso chegar às conclusões técnicas sobre o que aconteceu. Sem dúvida que não será simples, na medida em que o avião caiu em território controlado por rebeldes, que já estão de posse de evidências e tudo isso tendo uma guerra de narrativas como pano de fundo.
Se as investigações provarem que houve uma mão russa na tragédia, será difícil para o nosso homem em Moscou se evadir com o seu jogo duplo de controlar a temperatura da crise, com a intervenção para desestabilizar o governo pró-ocidental de Petro Poroshenko, mas não ao ponto de se aventurar a uma invasão aberta e ao risco de sanções americanas e europeias da pesada.
A questão é o que acontece doravante. São razoáveis que tenham tido lugar contatos imediatos de primeiro grau entre Putin e o presidente americano Barack Obama, que acabou de adotar mais uma rodada de sanções, para impedir uma degringolada ou mal entendidos. Estamos no meio das celebrações e reflexões sobre o início da Primeira Guerra Mundial há cem anos, um caso clássico de estudo em que acidentes ou incidentes têm desdobramentos que alteram o curso da história. Vamos ver agora, assim que as coisas se clarearem nos ares ucranianos e tivermos uma noção melhor da rota da crise.
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