domingo, 22 de junho de 2014
GAZETA DA UNHA ENCRAVADA- Em 12 horas, MTST ergue 600 barracos no Morumbi
Se eles construíssem os estádios pra Copa não teríamos pagos tantos micos.Ligeiros, não?
O MUAR PLANALTINO- Dilma diz que não faz política com ódio e que não vai ficar de joelhos
Quem disse que ela faz? Que injustiça! Quem pediu para ela rezar?
O dossiê contra Ruth Cardoso foi obra de marcianos ou saiu da Casa Civil quando Dilma estava lá?
Queremos que ela governe para o país e não para um partido que deseja se perpetuar no poder.
Fora PT!
O dossiê contra Ruth Cardoso foi obra de marcianos ou saiu da Casa Civil quando Dilma estava lá?
Queremos que ela governe para o país e não para um partido que deseja se perpetuar no poder.
Fora PT!
Copa trará avanço ‘zero’ ao PIB do Brasil, calcula Moody’s
RADAR ECONÔMICO
A Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta, planejada durante sete anos para deixar “grande legado” ao Brasil, trará efeitos “fugazes” à economia – mostra relatório da agência de classificação de risco Moody’s.
Nas contas da instituição, o torneio trará ganho da ordem de R$ 25,2 bilhões ao País. Num primeiro olhar, pode parecer bastante. Mas, pela ótica da produção de bens e serviços (PIB, o Produto Interno Bruto), o impacto é ínfimo.
O PIB consolidado do Brasil no último ano nas Contas Nacionais, em valores correntes, foi de R$ 4,838 trilhões. O volume calculado pela Moody’s representa apenas 0,5% desse montante.
Ainda de acordo com o estudo, os setores de Alimentos e Bebidas, Hospedagem, Locação de carros, Telecomunicações e Publicidade serão os mais beneficiados pela visita de 3,6 milhões de turistas entre junho e julho para o evento. No entanto, os problemas de mobilidade urbana e os dias perdidos de trabalho por causa dos jogos tendem a minimizar ou anular o empurrão no PIB dado por esses segmentos dos Serviços.
Entre as empresas beneficiadas pelo evento, estão, naturalmente, os patrocinadores oficiais, de acordo com o texto assinado por Barbara Mattos, Gersan Zurita e Marianna Waltz. As empreiteiras envolvidas na construção dos estádios também têm a ganhar, bem como as redes de TV transmissoras das partidas.
PT quer amordaçar sociedade civil
O assunto ainda é o Decreto 8.243, tamanha a importância que ele tem para nosso futuro – se pretendemos preservar a democracia. O PT aproveita o clima da Copa para levar adiante um projeto claramente bolivariano, que pretende controlar por meio do estado e seus braços militantes organizados todo o poder político. Foi o tema da ótima coluna de Demétrio Magnoli na Folha hoje:
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) converteu-se numa linha de montagem de artefatos ideológicos. Entre tantos países, escolheu a Venezuela chavista como sede de sua única filial no exterior. Num relatório produzido pela filial, lê-se o seguinte: “O modelo bolivariano afasta-se, sem dúvidas, da democracia representativa despolitizadora que predomina ainda hoje no mundo. Supera o modelo idealizado pelos pais fundadores da república norte-americana”. As duas frases ajudam a decifrar o sentido do decreto presidencial que instaura a “democracia participativa”.
As palavras cruciais são “democracia representativa despolitizadora”. De fato, o princípio da representação sustenta-se sobre o pressuposto de que os cidadãos têm outros afazeres além da política. A maioria esmagadora das pessoas consagra o seu tempo ao trabalho produtivo, aos estudos, ao lazer, aos afetos e aos amores. Os militantes políticos, pelo contrário, dedicam-se essencialmente à carreira política, que enxergam como fonte de poder, prestígio, dinheiro ou (raramente) como ferramenta para a “reforma do mundo”. O Decreto 8.243, dos “conselhos participativos”, procura reduzir a abrangência da “democracia representativa despolitizadora”. É um golpe dos militantes políticos contra as pessoas comuns, cuja “participação” perde valor nos centros de decisão de políticas públicas.
O sociólogo, que faz parte da tal “lista negra” de “inimigos da pátria” divulgada pelo vice-presidente do PT em site oficial do partido, afirma que o mais chocante nisso tudo é a “ausência de um grito coletivo de indignação da sociedade civil diante dessa suprema arrogância estatal”.
Como sabemos, o estado nasceu antes da nação no Brasil, com a vinda da família real em 1808. Estamos acostumados a delegar ao estado poder demasiado, e desacreditamos no papel da sociedade civil como tal.
Tocqueville chamou atenção em seu clássico sobre a democracia na América para as associações voluntárias, que agiam de forma descentralizada e local nos Estados Unidos. Não temos isso por aqui. No Brasil, subvertemos até mesmo a lógica das ONGs, ignorando a letra N na sigla e mantendo a maioria delas ligada de forma umbilical ao próprio estado.
Os intelectuais que ganham a vida falando sobre a “sociedade civil” receberam calorosamente o Decreto 8.243, como afirma Demétrio. A simbiose é antiga: intelectuais defendem o aumento do papel estatal em nossas vidas, e os governantes financiam esses intelectuais, além de lhes garantir poder e prestígio.
Demétrio vai direto ao ponto: “A finalidade do Decreto 8.243 é moldar uma ‘sociedade civil’ adaptada às estratégias de poder do governo: o ‘povo organizado’, no dialeto dos militantes”. É verdade que nosso Congresso goza de pouco respeito, e é isso que torna o terreno fértil para projetos autoritários como este. O perigo é grande.
Segundo declarações do alto escalão do governo, incluindo o ministro Gilberto Carvalho, o maior interessado no projeto, pois é justamente ele quem controla os tais “movimentos sociais”, a presidente Dilma não vai recuar. Será, nesse caso, uma declaração de guerra à democracia representativa.
Espero que nossas instituições republicanas se mostrem sólidas o suficiente para resistir. É seu maior teste desde que o PT chegou ao poder, com sua mentalidade bolivariana. Se por acaso o PT tiver êxito, então a Venezuela estará logo ali, a poucos passos do nosso destino.
Rodrigo Constantino
Bullying em Cuba, por Yoani Sánchez
Damaris tem quase quarenta anos e várias cicatrizes no rosto. Feitas por uma colega do quinto grau com um pregador de cabelo. Estavam em meio a uma aula e a disputa pela propriedade de um estojo de lápis levou a inimiga a gritar: “Te espero às quatro e meia!”. Essa é a pior ameaça que um estudante das escolas cubanas pode receber. A frase é suficiente para saber que na hora da saída terá que mostrar força e supremacia com punhos ou arranhões.
Com Yosniel foi pior. Jogou-se da caixa d’água do curso pré-universitário República Popular da Romênia depois de sofrer por meses com os deboches dos seus colegas de albergue pelo tamanho da sua cabeça. Caiu sobre o concreto da tampa da cisterna e nenhuma manobra de reanimação pôde salvá-lo. No outro dia, durante o funeral, os próprios alunos que o ridicularizavam davam pêsames a família do falecido no paupérrimo bairro de Romerillo.
Contudo, o problema toca tanto os pobres como os mais acomodados. O metal frio de uma navalha atravessou o coração de Adrián, também num pré-universitário, porque outro mais forte gostou dos seus sapatos e quis tomá-los. Os pais do falecido eram militares, porém mesmo assim não conseguiram entender por que as escolas onde deveria ser formado “o homem novo” acabaram funcionando com o mesmo banditismo das prisões.
Cecília, por seu lado, sempre foi das que bateu... Não das que se deixaram bater. Escolhia a saia do uniforme que vestiria examinando a situação das estudantes mais frágeis ou menores. Um dia encontrou o modelo do seu sapato numa menininha magrinha de dentes separados que – com uma lâmina improvisada a partir de uma serrinha – cortou-lhe o rosto de lado a lado.
O abuso escolar, o bullying, é um tema pouco falado nos meios nacionais, mas que afeta centenas, milhares de estudantes em todo o país. Entre as características mais alarmantes deste problema está a cumplicidade de parte dos professores. Muitas vezes os professores se valem destes “tipos de gente dura” para controlar o resto dos alunos. O resultado é a validação institucional de uma estrutura de arrogância e abuso.
Como denunciá-lo? Ninguém sabe. Não há um número telefônico que um aluno vítima de bullying possa usar. Nenhuma circular do Ministério da Educação ampara os prejudicados nestes casos. Os pais, normalmente, respondem as denúncias de abusos contadas por seus filhos com um: “dá-lhe mais duro” ou “mostre-lhes quem és tu”. Os professores não querem se imiscuir na bronca e muitos diretores de centros escolares respondem na defensiva: “Imagina, já não sabemos o que fazer com este garoto”.
O certo é que o drama do abuso escolar não é falado, não é debatido e não é questionado... Enquanto as tantas Cecílias que existem por aí continuam tomando o uniforme das menores, cortando o rosto de uma colega de sala com um grampo ou zombando – até ao suicídio – do tamanho da cabeça de outro.
Tradução por Humberto Sisley
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